Artigo: ACISFS: 110 anos e a força do associativismo empresarial

Artigo: ACISFS: 110 anos e a força do associativismo empresarial Um século de articulação empresarial impulsionando competitividade, estratégia e desenvolvimento sustentável no município. Marcelo Luís de Campos, Presidente da Associação Empresarial de São Francisco do Sul   Ao completar 110 anos, a Associação Empresarial de São Francisco do Sul reafirma seu papel como pilar da governança econômica do município e agente estruturante do ambiente de negócios local. São Francisco do Sul possui aproximadamente 57 mil habitantes e figura entre as economias mais relevantes de Santa Catarina, com PIB estimado em cerca de R$ 8,5 bilhões, posicionando-se entre os maiores do estado. O município apresenta PIB per capita superior à média catarinense, reflexo direto da força logística, industrial e portuária instalada em seu território. O principal vetor dessa dinâmica é o Porto de São Francisco do Sul, que encerrou 2025 com aproximadamente 17,5 milhões de toneladas movimentadas, o melhor resultado de sua história. O volume representa cerca de 27% de toda a movimentação portuária de Santa Catarina, consolidando o município como protagonista logístico estadual e elo estratégico nas cadeias nacionais e de exportação. Esse contraste entre o porte populacional e a elevada geração de riqueza revela um território de alta produtividade econômica e de relevância estratégica para o desenvolvimento catarinense. Ao longo de mais de um século, a Associação Empresarial tem atuado como instrumento de articulação institucional, defesa de pautas estruturantes e fortalecimento da competitividade local. Infraestrutura logística, segurança jurídica, planejamento territorial e qualificação profissional não avançam de forma isolada — exigem coordenação, visão de longo prazo e representatividade organizada. A experiência demonstra que nenhuma empresa, individualmente, possui a mesma capacidade de influência que o setor empresarial quando estruturado institucionalmente. Representatividade amplia legitimidade. Legitimidade amplia capacidade de diálogo. E diálogo qualificado gera resultados concretos para o ambiente de negócios. Os desafios que se impõem — modernização da infraestrutura, expansão logística, previsibilidade regulatória e atração de novos investimentos — exigirão ainda mais organização empresarial. Os 110 anos da Associação não simbolizam apenas tradição. Representam maturidade institucional e a certeza de que o desenvolvimento sustentável de São Francisco do Sul depende de um setor produtivo coeso, articulado e protagonista. A história comprova: quando o empresariado se organiza, o município avança.  Participe da associação empresarial do seu município. Influencie. O desenvolvimento também depende de você.   Marcelo Luís de Campos, Presidente da Associação Empresarial de São Francisco do Sul, Executivo de Logística, Administrador de Empresas e Doutor em Engenharia de Produção e Sistemas.

Artigo: O colapso da infraestrutura e o gargalo do progresso brasileiro

Artigo: O colapso da infraestrutura e o gargalo do progresso brasileiro O colapso da infraestrutura no Brasil não é fruto de um evento isolado, tampouco de falta de diagnóstico. Trata-se de uma consequência previsível de décadas de ausência de políticas públicas de Estado, substituídas por agendas de curto prazo e disputas político partidárias que pouco dialogam com o desenvolvimento real do país. Marcelo Luís de Campos, Presidente da Associação Empresarial de São Francisco do Sul Quando o Estado falha nesse tema, o custo não é abstrato. Ele se materializa no cotidiano da população, que paga caro — em tempo, dinheiro, segurança e qualidade de vida. Ao longo dos anos, a infraestrutura deixou de ocupar o centro da agenda pública. Enquanto o debate político se concentra em polarizações ideológicas e ciclos eleitorais, temas estruturantes são empurrados para segundo plano. O país discute narrativas, mas negligencia decisões capazes de sustentar crescimento, competitividade e coesão social. A infraestrutura é a base silenciosa do progresso. É ela que permite que a economia funcione, que cadeias produtivas sejam eficientes e que as pessoas se desloquem com segurança. Quando esse alicerce se deteriora, os efeitos se espalham rapidamente: aumento de custos logísticos, perda de eficiência econômica, redução da competitividade e aprofundamento das desigualdades regionais. O impacto mais grave, no entanto, é humano. Rodovias degradadas e sistemas de transporte precários transformam o deslocamento diário em risco permanente. Horas improdutivas são perdidas, acidentes se tornam recorrentes, vidas são interrompidas e famílias são marcadas por tragédias evitáveis. Tratar esse cenário como fatalidade é ignorar sua verdadeira causa: a omissão continuada do poder público. O desenvolvimento sustentável exige visão de Estado e responsabilidade institucional. Políticas estruturantes não podem depender de ciclos eleitorais nem de conveniências momentâneas. Elas exigem planejamento de longo prazo, continuidade administrativa, estabilidade regulatória e decisões técnicas — ainda que não rendam dividendos políticos imediatos. Sem esse compromisso, o progresso não se sustenta. Ele se fragmenta, desacelera e cobra seu preço de forma silenciosa, porém constante, da sociedade como um todo. Por isso, o debate público precisa amadurecer. Mais do que discursos ou promessas genéricas, é fundamental que a sociedade cobre de seus representantes compromissos claros com agendas estruturais, com planejamento, execução e responsabilidade na gestão pública. O colapso da infraestrutura não é apenas um entrave econômico. Ele é o retrato de um país que, ao adiar decisões estruturais, adia também seu próprio futuro. E o custo dessa escolha, invariavelmente, é coletivo. Marcelo Luís de Campos, Presidente da Associação Empresarial de São Francisco do Sul, Executivo de Logística, Administrador de Empresas e Doutor em Engenharia de Produção e Sistemas.